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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A presidente do Fotoclube do Alto Tietê é eleita delegada no Fórum Nacional Setorial de Artes Visuais do Ministério da Cultura

Cultura: a presidente do Fotoclube do Alto Tietê, Tina Andrade, está entre os cinco indicados pararepresentar o Estado de São Paulo no longo processo que resultará, em novembro, na escolha dos futuros integrantes do Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura. A moradora de Mogi participará como representante do setor de Artes Visuais. Publicado em 25 de outubro de 2012,na coluna Opinião de Darwin Valente, no Jornal O Diário de Mogi.

Para quem não sabe, os nomeados para o Conselho Nacional de Políticas Culturais deverão se reunir periodicamente (estima-se que quatro vezes ao ano) para debater e deliberar sobre as matérias em discussão, além de participar de Comissões Temáticas e Grupos de Trabalho para discutir assuntos emergenciais e específicos; ou ainda propor temas e assuntos para deliberação do Plenário.

"Por esta razão, minhas contribuições contemplam acesso e acessibilidades para o consumidor cultural com deficiência", diz Tina, eleita delegada no Fórum Nacional Setorial; ao elencar suas propostas de diretrizes (D) para o desenvolvimento das Artes Visuais em conformidade com os objetivos do Plano Nacional de Cultura (PNC):

 PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL NA ECONOMIA CRIATIVA

 D1) Destinação de recursos para investimentos em tecnologias assistivas na requalificação dos espaços culturais públicos existentes e fomentar a criação de novos, objetivando garantir à pessoa com deficiência e mobilidade reduzida não apenas o acesso a acervos de artes visuais, mas sobretudo a participação efetiva na formação dos mesmos;

D2) Criação de um cadastro nacional de fotografia para auxiliar no controle da circulação e no cumprimento da Lei de Direitos Autorais, coibindo terminantemente o uso das expressões "de arquivo", "de divulgação", entre outros, em detrimento do crédito ao autor; CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

D3) Identificar, catalogar, fomentar, incentivar e capacitar artistas, produtores, pesquisadores e promotores das artes visuais para o atendimento ao público consumidor com deficiência e mobilidade reduzida.

Os Fóruns Nacionais Setoriais acontecerão nos dias 21, 22 e 23 de novembro, em Brasília, ocasião em que serão eleitos os membros dos 17 Colegiados Setoriais e seus representantes no Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tina Andrade fala sobre a Fotografia Inclusiva na Tv de Bem


A imaginaSOM - II Mostra de Inclusão Visual é destaque no programa 193 com Erika Lemes. Reportagem de Bruna Santos e imagens de Leandro Gomes. O programa é exibido pela NET CIDADE, Mogi das Cruzes e vai ao ar (inédito) nas sextas às 19h30 sábados neste mesmo horário, aos domingos às 13h30; segundas e quartas às 16h00, terças às 06h00 e quintas às 11:00.

sábado, 1 de setembro de 2012

FOTOGRAFIA INCLUSIVA




‎[DESCRIÇÃO DA IMAGEM] À extrema-direita e em plano médio, a fotografia mostra um homem usando rédfônes; ele segura com uma das mãos uma bengala e com a outra, tateia uma figura afixada sobre uma parede na qual vê-se em perspectiva a imagem de quadros com fotografias emolduradas lado a lado. [FIM DA DESCRIÇÃO]
Ricardo Pedroso fotografado por Jonny Ueda
durante a visita à II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM

Como dar acesso ao conteúdo jornalístico da fotografia de imprensa à pessoa com deficiência visual


por Tina Andrade*

A informação é um direito constituído e seu acesso, uma condição para uma vida digna.  Se a significação depende de juízo interpretativo (COELHO NETTO, 2003), a finalidade máxima da informação é reduzir a dúvida e [...] quanto maior for esta capacidade de redução, de eliminação da dúvida, melhor é a qualidade da mensagem que ela transporta.

Por dedução, ao privarmos uma pessoa com deficiência desse direito à medida que não lhe conferimos acesso, aumentamos a sua condição social de prejuízo, colocando-a cada vez mais em desvantagem.

Lígia Assumpção Amaral esclarece que essa desvantagem diz respeito aos prejuízos que o indivíduo experimenta por conta da deficiência e incapacidade; e que se reflete na interação com o seu meio. Para ela, que defende ardorosamente (em suas palavras) a ideia de que as deficiências não são apenas uma construção social, só se está em desvantagem em relação a algo ou alguém. Por isto podemos (e devemos!) revolucionar conceitual e politicamente a mentalidade hegemônica:

... penso que a reflexão sistemática sobre a questão conceitual é de extrema importância para a simultânea/subsequente reflexão sistemática sobre o cotidiano das pessoas com deficiência... (AMARAL, 1998 p. 27). 


A "cegueira branca" tem cura! 

Em seu Ensaio sobre a Cegueira (1995), José Saramago faz uma pergunta que nos pôs a refletir: " e se fôssemos todos cegos?".  Devemos concordar que nós somos realmente acometidos da cegueira da razão, da sensibilidade e de tudo aquilo que faz de nós não um ser funcional no sentido da relação humana, pelo contrário, rudes, egoístas e violentos em um  mundo de desigualdade e de sofrimento, que se explica, mas que, na sua opinião, não se justifica.

Para uma melhor compreensão da cegueira, selecionamos dois conceitos básicos: o primeiro é científico e a coloca como sendo "a condição de falta de percepção visual, devido a fatores fisiológicos ou neurológicos" (Conselho Internacional de Oftalmologia, 2002); já o segundo,  é filosófico – vem de Espinosa – e contradiz o primeiro tratando a cegueira, não como ausência de visão, mas como uma forma diferente de existir.

Deficiência não é doença. "A doença é  um processo com um início, um tratamento e um fim; já a deficiência é uma condição constitutiva do sujeito [...] a conduta social com a pessoa com deficiência a leva ao isolamento, podendo aí surgir doenças decorrentes deste isolamento" (LIMA, 2010 p. 111).

Elias Nunes fotografado por Tina Andrade
em sua visita à imaginaSOM

A Imprensa, o direito de informar e o de ser informado

A primeira função da Imprensa é a informação. E informação, enquanto conceito está imbuído das noções de comunicação, restrição e controle, dados, forma, instrução, significado, estímulo, padrão, percepção e representação de conhecimento, entre outras (COELHO NETTO, 2003).

Os avanços tecnológicos que deveriam romper as barreiras impostas ao livre fluxo das ideias, elevam o nível de sofisticação que, pelo contrário, abre um vale de desinformação.

Ainda hoje, 5 mil anos depois da escrita suméria, 500 depois da Era Gutenberg, por conseguinte, do livro, quase meio-século de Internet e pelo menos 20 anos de vida "pontocom" - verificamos se os sistemas linguísticos, de fato, estão atendendo as muitas urgências sociais, entre elas, a garantia do acesso à informação.

Já passamos do prazo para compreender e rever os princípios que regem as comunicações, de modo a atribuir à Imprensa, não apenas a função primeira de informar, mas a responsabilidade de disponibilizar seus produtos de informação, respeitando o princípio isonômico que garante o tratamento igualitário e sem discriminações.

Não precisamos de muito para ilustrar o que contraria este princípio: basta lembrar que nos dias atuais, a despeito de todo o apoio tecnológico, milhões de potenciais consumidores da informação com deficiência visual espalhados pelo mundo não têm atendidas a pulsão escópica, a necessidade de ver, o desejo de olhar, à medida que estão invisíveis aos olhos dos mediadores da informação.

O direito de informar e receber informação constitui o fermento da cidadania, o oxigênio que nutre a vida democrática [...] a Imprensa instaurou a cidadania e criou condições indispensáveis para a emergência das sociedades democráticas (MARQUES DE MELO, 2009 p. 57).

A "cegueira branca" (SARAMAGO, 2006) é a alegoria perfeita para conotar o momento que exige da Imprensa "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".

Os jornalistas somos, em verdade, profissionais híbridos: misto de investigadores, formadores de opinião, informatas, educadores; que conectados ao mundo, nos fazemos ubíquos. A consciência do que isto representa, somada ao bom uso das novas mídias – é que nos coloca no topo entre os trabalhadores do conhecimento.

O objetivo principal da II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM é buscar caminhos para tornar a informação contida na fotografia jornalística acessível ao deficiente visual severo. E a repercussão que este trabalho está tendo, a atenção que vem merecendo da imprensa (acesse o e-Clipping) denota o quanto a proposta é bem-recebida e, também, o quanto a sociedade criativa está disposta a contribuir.

(*) Texto construído a partir de trechos de sua obra Fotografia inclusiva: tradução intersemiótica e dimensão expressiva para "imprensa acessível". 109f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Mestrado em Semiótica, Tecnologias da Informação e Educação, Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes, SP, 2012. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Câmara Municipal de Mogi das Cruzes abriga a II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM





Na segunda-feira (27/8/2012) a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes inaugurou a 
II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM. Trata-se de uma exposição inédita
que tem como principal objetivo sensibilizar a sociedade de conteúdos para o direito
constitucional de informar e ser informado.


A imaginaSOM é realizada anualmente pelo Fotoclube do Alto Tietê com curadoria de Tina Andrade, que além de jornalista e consultora em Comunicação Inclusiva, é Mestre em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação. E assinando a coordenação geral, está Jonny Ueda que se orgulha de ter convidado para esta mostra, alguns dos melhores repórteres fotográficos da Região do Alto Tietê, entre eles:  Edson Martins e Eisner Soares (Diário de Mogi); Amilson Ribeiro e Daniel Carvalho (Mogi News); Jorge Moraes e Osvaldo Birke (Diário do Alto Tietê); Irineu Júnior e Piero Leite (Diário de Suzano); Wilson Talles (Grupo DS); Cleomar Macedo (Jornal Sete); Diego Barbieri (Folha Metropolitana); Evandro Maia (Jornal A Semana) e Silvio C. Filho (Notícias de Poá). Além de mostrar como é possível que uma pessoa com cegueira tenha acesso à informação visual contida na fotografia jornalística, o projeto traz muitos outros benefícios: entre os quais, a atualização curricular dos profissionais de imprensa. Graças à parceria com o Colégio Mogiano de Capacitação - CMC, todos os fotógrafos receberão treinamento; alguns já puderam fazê-lo nas dependências do CMC, mas a meta é levar o mini-curso ministrado por Tina para dentro das redações.

Para ela, a necessidade de atualização curricular é uma justificativa tão plausível quanto o direito fundamental que toda a pessoa tem à informação e a importância de humanizar e implantar a cultura da diversidade nas empresas jornalísticas. 

O conjunto das obras publicadas por teóricos mostra que "o Jornalismo sempre dependeu das tecnologias que emprega", mas pouco ou nada se investe no aprimoramento e no desenvolvimento de novas competências informacionais – o que requer formação continuada.


A falta da informação contribui para a expansão da deficiência 

A Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência (ONU 2006), ratificada no Brasil, pelo Decreto n° 186/2008 e pelo Decreto n° 6949/2009, em seu artigo 9º, afirma que
“a fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver com autonomia e participar plenamente de todos os aspectos da vida, os Estados Partes deverão tomar as medidas apropriadas para assegurar-lhes o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à informação e comunicação”. 
A falta da informação contribui para a expansão da deficiência (do meio, inclusive) e das incapacidades nela contidas - aumentando os prejuízos que colocam não só a pessoa com deficiência em desvantagem, mas qualquer um de nós. Significa que o maior grau da deficiência não está nas patologias humanas, e sim, concentrado nos problemas funcionais do meio em que vivemos. Levar os conceitos de acesso e acessibilidades para a imprensa, é a tônica do trabalho de Tina, que é autora do conceito de Fotografia Inclusiva, apresentado cientificamente como uma nova vertente.

Devemos vislumbrar que a reengenharia das empresas de comunicação, possa contemplar os milhões de usuários com deficiência que hoje estão desassistidos de um serviço adequado de informação. Somente em Mogi das Cruzes, no coração do Alto Tietê, exitem 80 mil pessoas com algum tipo de deficiência; no Estado de São Paulo, se considerarmos os surdos, cegos, pessoas com problemas de visão e audição severos, estamos falando de 1,5 milhão de consumidores culturais  e em âmbito nacional, este número sobe para 23 milhões (os dados são do I Encontro Regional dos Jornalistas do Alto Tietê - Erejat, realizado em abril deste ano).

Inaugurado em 2008, o Fotoclube do Alto Tietê é um coletivo que vem conquistando seu espaço e o respeito da comunidade de fotógrafos de todo o país e até do exterior, por cumprir exemplarmente a missão de "recuperar, preservar e difundir a memória; assim como resgatar valores dispersos e cidadania través do exercício do 'olhar fotográfico', mostrando-se, ainda, eficiente no uso da fotografia como artefato semiótico de intervenções sociais.

Além do apoio do Colégio Mogiano de Capacitação, a mostra que permanecerá até 8 de setembro no Espaço Cultural da Câmara Municipal de Mogi (que oferece acessibilidade arquitetônica), também é apoiada pela Dina Fotográfica e Tecassistiva e patrocinada pela Intryd Segurança Informática.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Faça o que puder, com o que tiver e onde estiver

Ari e Celinho: "estamos aprendendo!"
"Trabalho aqui há oito anos e é a primeira vez que vejo alguém pensar nas pessoas que não enxergam na hora de montar uma exposição", disse uma funcionária do setor de limpeza da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes.

E é um sentimento maravilhoso saber que podemos contribuir para a criação de uma cultura para a diversidade nas organizações públicas. O Ver. Rubens Benedito Fernandes ("Bibo"), presidente da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, não só recebeu bem a imaginaSOM, como nos apoiou permitindo uma instalação de alerta direcional no piso do Espaço Cultural para dar aos visitantes com deficiência visual, maior autonomia durante a visitação.

Pode parecer simples, mas com esta adequação, demos um grande passo na aplicação do conceito de desenho universal. Ari e Celinho, técnicos da manutenção, gostaram da experiência. A lição que deixamos é que não precisamos aguardar processos burocráticos para garantir a acessibilidade. Só precisamos sensibilizar pessoas e seguir o lema de Theodore Roosevelt: "faça o que puder, com o que tiver e onde estiver". Simples assim. 

domingo, 19 de agosto de 2012

19 de agosto: um "diapositivo"!

{DESCRIÇÃO DA IMAGEM] Fotografia colorida feita no Pico do Urubu, na Serra do Itapeti, região do Alto Tietê. Nela aparecem as mãos de um homem segurando uma câmera fotográfica profissional, de modo que apenas a parte de trás do equipamento deixa à mostra a tela da câmera, refletindo o rosto de traços orientais do fotógrafo Jonny Ueda, sorrindo. A sensação ótica é de uma máquina que sorri, pois aquele rosto refletido fica completamente integrado ao equipamento. Ao redor desta imagem, aparecem parcialmente uma biruta, algumas pessoas sentadas sobre pedras e até a lona azul de um parapente, indícios de que é um lugar de saltos.  Esta foto é uma homenagem da autora, Tina Andrade pelo 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia.

Em celebração ao DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA, foi lançado entre os fotoclubistas e comunidade de amigos fotógrafos de todas as tribos o desafio da METAFOTOGRAFIA - que consiste em fazer uma "fotografia sobre a fotografia" e enviar para fotoclube.altotiete@gmail.com, acompanhada de um pequeno relato do ponto de vista do autor.
E é claro que eu também participo do desafio e quero deixar a minha mensagem:

A fotografia, tenho dito, é minha fe
rramenta para transformar o estado-da-vida de muitas pessoas e por ela ser transformada. E esta imagem que aqui posto inclusiva, representa a vida que ajudei a mudar e que me mudou até que passássemos a viver juntos na mesma missão de resgatar valores dispersos e cidadania através da imagem fotográfica.

Fica a minha homenagem para Jonny Ueda, Hisao Shirabiyoshi, Rodolpho Lopes Machado, Ourivaldo Barbosa do Valle e os colegas amados do Luminous, Osvaldo Guilherme, Evandro Maia e Roberto Cesar de Aguiar, que muito me ajudaram no particular. E mais a minha dedicação, minha gratidão, meu amor que é intenso à família que eu construí no Fotoclube do Alto Tietê.
Esta é a minha mensagem para o "DIAPOSITIVO"*!
Amantes da fotografia: parabéns!

(*) título da obra do coletivo com as imagens deste dia.