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quinta-feira, 9 de maio de 2013



Fotoclube do Alto Tietê reverencia a Festa do Divino com mais uma exposição de fotografia inclusiva na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes

Patrimônio da cultura religiosa e das uma maiores manifestações da nossa arte popular, a Festa do Divino Espírito Santo é tema da mostra inclusiva Frutos do Espírito, que estará em cartaz de 10 a 30 de maio no Espaço Cultural da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes.

A exposição contempla fotografias produzidas pelos membros do coletivo durante os seus três anos de existência; e tem como objetivo principal satisfazer a curiosidade (e ao mesmo tempo promover uma reflexão) acerca dos dons que cada um de nós recebe de manifestar o Espírito para o que for útil para todos:

Os Sete Dons do Espírito Santo, exatamente como são citados pela tradição católica e que se tornaram fonte de devoção popular, são [...]SABEDORIA e de ENTENDIMENTO, espírito de CONSELHO e de FORTALEZA, espírito de CIÊNCIA (e de PIEDADE*) e de TEMOR DE DEUS" (*Vulgata). A lista de nove itens encontrada no versículo 22 do capítulo 5 da Epístola de Paulo aos Gálatas se refere aos frutos do Espírito: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança (autodomínio)".[...] Numerosos hermeneutas e exegetas da Bíblia entendem que essas listas de enumerações são exemplificativas, que os dons do Espírito são de infinita diversidade, pois "há diversidade de dons e cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para o que for útil para todos" (cf. 1Cor 12, 4-7). Segundo esses estudiosos, o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição; receber os sete dons do Espírito significa, portanto, receber todos os seus inúmeros dons1.


“Podemos dizer que a fotografia é dotada do dom divino de manifestar o olhar e poder espelhar toda a Criação”, diz Jonny Ueda, que é diretor de fotografia do fotoclube, lembrando que as exposições realizadas pelo coletivo são acessíveis às pessoas com deficiência visual, o que possibilita levar arte e conhecimento a todos os munícipes.

Na opinião da jornalista inclusiva Tina Andrade – presidente do Fotoclube do Alto Tietê - a antiga parceria com a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes reflete o quanto esta casa se mostra realmente interessada em fazer parte não apenas de iniciativas pontuais, mas em nos permitir criar juntos um ambiente amplamente favorável à inclusão pela cultura e arte.

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Serviço

Exposição fotográfica Frutos do Espírito
Espaço Cultural da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes
Av. Vereador Narciso Yague Guimarães, 381 - de segunda a sábado
Centro Cívico - Mogi das Cruzes (SP)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fotoclubista Hendi Du Carmo tem obra premiada na segunda edição de A Arte de Fotografar

A fotografia mostra em primeiro plano um menino sorrindo com o rosto voltado para a sua direita e mãos espalmadas na altura do peito. Ele tem cabelos dourados e curtos e veste uma camisa preta com estampa frontal. Atrás dele, em desfoque, uma senhora de cabelo curtos e roupas brancas esbanja um sorriso ao olhar o menino. Ao fundo, uma parede verde-folha, com frestas iluminadas.
A arte de fotografar Otto, de Hendi Du Carmo
O fotoclubista do Alto Tietê, Hendi Du Carmo é finalista no concurso A Arte de Fotografar 2! A cerimônia de entrega dos prêmios acontece no dia 12 de dezembro de 2012  no Museu de Antropologia Vale do Paraíba, em Jacareí - data que coincide com a abertura da exposição dos contemplados. A classificação final será conhecida  somente no ato da cerimônia que tem como condição sine qua non premiar apenas os finalistas se fizerem presentes. O Fotoclube do Alto Tietê parabeniza esta "prata da casa" e revelação da fotografia, que tanto tem contribuído para agregar valor à nossa marca.
Parabéns, Hendi!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fotoclube do Alto Tietê estreia "Ojú Odara" na Semana da Consciência Negra em Poá

A fotografia mostra um rosto estilizado esculpido sobre uma parede de textura arenosa, com algumas partes encobertas por húmus verde-escuro, sobre o qual se destacam os olhos bem juntos e ligeiramente caídos. Essa figura está entre outras que adornam antigos bebedouros. Cada uma delas tinha um significado embutido e a ideia era bombardear a mente dos escravos com mensagens subliminares. Esta com os olhos bem acentuados, remetia à "eterna vigilância", mas hoje é um dos valiosos vestígios do Sítio Arqueológico de São Francisco - uma antiga fazenda no litoral paulista que, diz a lenda, teria pertencido a um cruel proprietário de escravos.
Ojú

A Semana da Consciência Negra é um período dedicado à reflexão sobre à participação do negro na construção da nossa identidade; e culmina no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares (1695), para que nos espelhemos na sua resistência à toda forma de escravidão.

"Entre estas formas de escravidão está a nossa submissão à ditadura midiática que pouco a pouco nos distancia da incrível herança cultural deixada por nossos ancestrais", diz Tina Andrade, jornalista inclusiva e curadora da exposição Ojú Odara que está entre as opções culturais oferecidas na Semana da Consciência Negra pela Estância Hidromineral de Poá.

"Ojú Odara" é uma expressão do Yorubá, língua africana, que significa "olhos bons" - no sentido de ser capaz de encontrar a beleza; traduzindo a habilidade dos fotoclubistas do Alto Tietê em capturar com suas câmeras, recortes da cultura de nosso povo; nossa visão de mundo.  

A mostra é composta de vinte obras dos fotógrafos Carol Santos, David Oliveira, Fernanda Geggus, Hendi Ducarmo, Hisao Shirabiyoshi, Jonny Ueda, Lu Araújo, Matheus Sant'Anna, MLoudes da Silva,  Nilson Siqueira, Pádua e da própria Tina, que preside esse coletivo que cumpre a missão de "recuperar, preservar e difundir a memória; assim como resgatar valores dispersos e cidadania através do exercício do 'olhar fotográfico'." 

As fotos revelam a cultura negra presente no ritmo da Congada, do Moçambique e do Maculelê, o gingado na Capoeira, as festas religiosas e pagãs, mas também o grafite e outras "aventuras visuais antropológicas", como assim classifica Jonny Ueda, fotógrafo premiado e diretor do Fotoclube, que se inspira nos legados de Marc Ferrez e Pierre (Fatumbi) Verger, para falar da importância deste trabalho: - "Além de documentar o patrimônio cultural, artístico, histórico e paisagístico das cidades do Alto Tietê, nosso coletivo é muito respeitado pelas ações inclusivas; nossas exposições são acessíveis até mesmo às pessoas com deficiência visual ou cegueira", conclui. 

Ojú Odara poderá ser vista na Praça dos Eventos e terá uma versão áudio-descrita para pessoas com deficiência visual. Para saber mais visite o site www.fotoclubedoaltotiete.art.br ou participe das reuniões quinzenais.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A presidente do Fotoclube do Alto Tietê é eleita delegada no Fórum Nacional Setorial de Artes Visuais do Ministério da Cultura

Cultura: a presidente do Fotoclube do Alto Tietê, Tina Andrade, está entre os cinco indicados pararepresentar o Estado de São Paulo no longo processo que resultará, em novembro, na escolha dos futuros integrantes do Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura. A moradora de Mogi participará como representante do setor de Artes Visuais. Publicado em 25 de outubro de 2012,na coluna Opinião de Darwin Valente, no Jornal O Diário de Mogi.

Para quem não sabe, os nomeados para o Conselho Nacional de Políticas Culturais deverão se reunir periodicamente (estima-se que quatro vezes ao ano) para debater e deliberar sobre as matérias em discussão, além de participar de Comissões Temáticas e Grupos de Trabalho para discutir assuntos emergenciais e específicos; ou ainda propor temas e assuntos para deliberação do Plenário.

"Por esta razão, minhas contribuições contemplam acesso e acessibilidades para o consumidor cultural com deficiência", diz Tina, eleita delegada no Fórum Nacional Setorial; ao elencar suas propostas de diretrizes (D) para o desenvolvimento das Artes Visuais em conformidade com os objetivos do Plano Nacional de Cultura (PNC):

 PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL NA ECONOMIA CRIATIVA

 D1) Destinação de recursos para investimentos em tecnologias assistivas na requalificação dos espaços culturais públicos existentes e fomentar a criação de novos, objetivando garantir à pessoa com deficiência e mobilidade reduzida não apenas o acesso a acervos de artes visuais, mas sobretudo a participação efetiva na formação dos mesmos;

D2) Criação de um cadastro nacional de fotografia para auxiliar no controle da circulação e no cumprimento da Lei de Direitos Autorais, coibindo terminantemente o uso das expressões "de arquivo", "de divulgação", entre outros, em detrimento do crédito ao autor; CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

D3) Identificar, catalogar, fomentar, incentivar e capacitar artistas, produtores, pesquisadores e promotores das artes visuais para o atendimento ao público consumidor com deficiência e mobilidade reduzida.

Os Fóruns Nacionais Setoriais acontecerão nos dias 21, 22 e 23 de novembro, em Brasília, ocasião em que serão eleitos os membros dos 17 Colegiados Setoriais e seus representantes no Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tina Andrade fala sobre a Fotografia Inclusiva na Tv de Bem


A imaginaSOM - II Mostra de Inclusão Visual é destaque no programa 193 com Erika Lemes. Reportagem de Bruna Santos e imagens de Leandro Gomes. O programa é exibido pela NET CIDADE, Mogi das Cruzes e vai ao ar (inédito) nas sextas às 19h30 sábados neste mesmo horário, aos domingos às 13h30; segundas e quartas às 16h00, terças às 06h00 e quintas às 11:00.

sábado, 1 de setembro de 2012

FOTOGRAFIA INCLUSIVA




‎[DESCRIÇÃO DA IMAGEM] À extrema-direita e em plano médio, a fotografia mostra um homem usando rédfônes; ele segura com uma das mãos uma bengala e com a outra, tateia uma figura afixada sobre uma parede na qual vê-se em perspectiva a imagem de quadros com fotografias emolduradas lado a lado. [FIM DA DESCRIÇÃO]
Ricardo Pedroso fotografado por Jonny Ueda
durante a visita à II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM

Como dar acesso ao conteúdo jornalístico da fotografia de imprensa à pessoa com deficiência visual


por Tina Andrade*

A informação é um direito constituído e seu acesso, uma condição para uma vida digna.  Se a significação depende de juízo interpretativo (COELHO NETTO, 2003), a finalidade máxima da informação é reduzir a dúvida e [...] quanto maior for esta capacidade de redução, de eliminação da dúvida, melhor é a qualidade da mensagem que ela transporta.

Por dedução, ao privarmos uma pessoa com deficiência desse direito à medida que não lhe conferimos acesso, aumentamos a sua condição social de prejuízo, colocando-a cada vez mais em desvantagem.

Lígia Assumpção Amaral esclarece que essa desvantagem diz respeito aos prejuízos que o indivíduo experimenta por conta da deficiência e incapacidade; e que se reflete na interação com o seu meio. Para ela, que defende ardorosamente (em suas palavras) a ideia de que as deficiências não são apenas uma construção social, só se está em desvantagem em relação a algo ou alguém. Por isto podemos (e devemos!) revolucionar conceitual e politicamente a mentalidade hegemônica:

... penso que a reflexão sistemática sobre a questão conceitual é de extrema importância para a simultânea/subsequente reflexão sistemática sobre o cotidiano das pessoas com deficiência... (AMARAL, 1998 p. 27). 


A "cegueira branca" tem cura! 

Em seu Ensaio sobre a Cegueira (1995), José Saramago faz uma pergunta que nos pôs a refletir: " e se fôssemos todos cegos?".  Devemos concordar que nós somos realmente acometidos da cegueira da razão, da sensibilidade e de tudo aquilo que faz de nós não um ser funcional no sentido da relação humana, pelo contrário, rudes, egoístas e violentos em um  mundo de desigualdade e de sofrimento, que se explica, mas que, na sua opinião, não se justifica.

Para uma melhor compreensão da cegueira, selecionamos dois conceitos básicos: o primeiro é científico e a coloca como sendo "a condição de falta de percepção visual, devido a fatores fisiológicos ou neurológicos" (Conselho Internacional de Oftalmologia, 2002); já o segundo,  é filosófico – vem de Espinosa – e contradiz o primeiro tratando a cegueira, não como ausência de visão, mas como uma forma diferente de existir.

Deficiência não é doença. "A doença é  um processo com um início, um tratamento e um fim; já a deficiência é uma condição constitutiva do sujeito [...] a conduta social com a pessoa com deficiência a leva ao isolamento, podendo aí surgir doenças decorrentes deste isolamento" (LIMA, 2010 p. 111).

Elias Nunes fotografado por Tina Andrade
em sua visita à imaginaSOM

A Imprensa, o direito de informar e o de ser informado

A primeira função da Imprensa é a informação. E informação, enquanto conceito está imbuído das noções de comunicação, restrição e controle, dados, forma, instrução, significado, estímulo, padrão, percepção e representação de conhecimento, entre outras (COELHO NETTO, 2003).

Os avanços tecnológicos que deveriam romper as barreiras impostas ao livre fluxo das ideias, elevam o nível de sofisticação que, pelo contrário, abre um vale de desinformação.

Ainda hoje, 5 mil anos depois da escrita suméria, 500 depois da Era Gutenberg, por conseguinte, do livro, quase meio-século de Internet e pelo menos 20 anos de vida "pontocom" - verificamos se os sistemas linguísticos, de fato, estão atendendo as muitas urgências sociais, entre elas, a garantia do acesso à informação.

Já passamos do prazo para compreender e rever os princípios que regem as comunicações, de modo a atribuir à Imprensa, não apenas a função primeira de informar, mas a responsabilidade de disponibilizar seus produtos de informação, respeitando o princípio isonômico que garante o tratamento igualitário e sem discriminações.

Não precisamos de muito para ilustrar o que contraria este princípio: basta lembrar que nos dias atuais, a despeito de todo o apoio tecnológico, milhões de potenciais consumidores da informação com deficiência visual espalhados pelo mundo não têm atendidas a pulsão escópica, a necessidade de ver, o desejo de olhar, à medida que estão invisíveis aos olhos dos mediadores da informação.

O direito de informar e receber informação constitui o fermento da cidadania, o oxigênio que nutre a vida democrática [...] a Imprensa instaurou a cidadania e criou condições indispensáveis para a emergência das sociedades democráticas (MARQUES DE MELO, 2009 p. 57).

A "cegueira branca" (SARAMAGO, 2006) é a alegoria perfeita para conotar o momento que exige da Imprensa "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".

Os jornalistas somos, em verdade, profissionais híbridos: misto de investigadores, formadores de opinião, informatas, educadores; que conectados ao mundo, nos fazemos ubíquos. A consciência do que isto representa, somada ao bom uso das novas mídias – é que nos coloca no topo entre os trabalhadores do conhecimento.

O objetivo principal da II Mostra de Inclusão Visual - imaginaSOM é buscar caminhos para tornar a informação contida na fotografia jornalística acessível ao deficiente visual severo. E a repercussão que este trabalho está tendo, a atenção que vem merecendo da imprensa (acesse o e-Clipping) denota o quanto a proposta é bem-recebida e, também, o quanto a sociedade criativa está disposta a contribuir.

(*) Texto construído a partir de trechos de sua obra Fotografia inclusiva: tradução intersemiótica e dimensão expressiva para "imprensa acessível". 109f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Mestrado em Semiótica, Tecnologias da Informação e Educação, Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes, SP, 2012.