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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mostra de Miksang (Fotografia Contemplativa) marca a reabertura do Casarão do Chá

O Fotoclube do Alto Tietê traz para o Brasil a
 Iª Mostra Sul-Americana do Miksang Institute
for Contemplative Photography
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                                                                                                                  SNIIC 35268 
Composição gráica do ambiente da mostra por Tina Andrade com fotos de Margriet Boekhoorn e Fiona Wiseman
 “São seus bons olhos"

Na manhã de1º de junho de 2014, durante a cerimônia de reabertura do Casarão do Chá, o Fotoclube do Alto Tietê abre mostra inédita de Fotografia Contemplativa Miksang intitulada "São seus bons olhos".  Realizada em parceria com o Miksang Institute of Contemplative Photography, com sede no Colorado.

Miksang é uma palavra tibetana que se traduz como 'Bom Olho'(ou "olho puro"), e baseia-se nos ensinamentos do mestre de meditação, artista e estudioso da Shambhala e da Arte Dharma, Chögyam Trungpa Rinpoche; cujo significado está voltado para a descoberta da verdade, da percepção pura.
A curadora e produtora da mostra - que é também pesquisadora no campo das Artes Visuais-, Tina Andrade costuma usar a fotografia como meio de intervenção social. Ela vem trabalhando a meses com os fundadores do Miksang Institute, Michael Wood e Julie DuBose, para fazer desta uma experiência que desperte para o risco de estarmos deixando de olhar para as coisas como elas realmente são; fotografando compulsivamente e ao mesmo tempo perdendo a comunicação com o mundo tal qual ele se apresenta diante de nossos olhos. 

A mostra será composta por um conjunto de obras produzidas por professores e estudantes devidamente certificados em Fotografia Miksang.  O visitante irá poder sentar-se diante de uma fotografia, tomar um chá e até meditar enquanto a contempla, se quiser; ele determinará a maneira como quer interagir com cada olhar, pois ali estarão presentificados os fragmentos da realidade de pessoas que habitam o mesmo mundo em que vivemos. Entender o que elas querem nos comunicar também depende de apurarmos nossa percepção pura, removendo os filtros, as críticas e quaisquer outras interferências. Nossa objetivo principal é mostrar que não existe separação entre a vida e a arte e ao final, poder agradecer: 'são seus bons olhos'", diz Tina.

Michael Wood, depois de uma bem-sucedida carreira como fotógrafo profissional no Canadá, começou a experimentar o surgimento de novas percepções com base em sua prática de meditação e estudo da Arte Dharma com Chögyam Trungpa. Ele já acumula uma experiência de 30 anos no desenvolvimento, prática e ensino da Fotografia Miksang na América do Norte e Europa. 

- Vemos algo vívido e penetrante e nesse momento podemos expressar nossa percepção, sem fazer nada mais, acrescentar ou extrair nada. Significa ser totalmente honesto sobre o que está diante de nossos olhos. Como nos permitimos tornar mais disponíveis para as coisas ao nosso redor, sem os preconceitos, filtros e fórmulas, muitas vezes associados com a fotografiadiz ele que é também co-autor do livro Prática da fotografia contemplativa: Vendo o mundo com olhos puros.

Julie DuBose estuda e pratica a Fotografia Contemplativa há 16 anos. Junto com Michael, ensina todos os níveis da Miksang. Ela é autora de A fotografia como uma expressão de olhos, mente e coração e escreve o blog Fotografia Miksang Vida Miksang, além de artigos para o jornal online Huffington Post.

 Essa é uma boa oportunidade de difundir o verdadeiro Miksang em momento de alta monetização da técnica por “professores” (sic.) espalhados pelo mundo que, de fato, nunca o estudaram em todos os seus níveis ou, ainda que a tenham estudado, não foram treinados (ou autorizados) a ensiná-lo, ela diz.

Casarão do Chá na década de 1980. Foto: Akinori Nakatani. Fonte: Blog do Estadão

Considerado um "haicai arquitetônico", o Casarão do Chá, construído em 1942 é patrimônio histórico e ícone da imigração japonesa no Brasil. Sua estrutura foi toda feita em madeira pelo mestre-carpinteiro Kazuo Hanaoka onde funcionou uma fábrica de chá. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Turístico Estadual – Condephaat – em 1982 e pelo Iphan em 1986 e reabre depois de 17 anos de reforma, disposto a tornar-se um espaço de promoção, criação e circulação de bens culturais e artísticos, graças ao esforço e dedicação de Akinori Nakatani e Miha Nakatani. Saiba mais em www.casaraodocha.org.br

Serviço: 
"São seus bons olhos" - Iª Mostra Sul Americana do
Miksang Institute for Contemplative Photography
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Abertura: 1º de junho de 2014 às 10 da manhã
Permanência: até 6 de julho de 2014, sempre de quinta a domingo, das 10 às 17 horas com entrada franca e visitas monitoradas para grupos (somente com agendamento).

Estrada do Chá, cx 05 (acesso pela Estrada do Nagao Km3).
Mogi das Cruzes, São Paulo – Brasil
[Como chegar]

Patrocínio: Kijiro Corretora de Seguros, Associação Paulista de Relações Internacionais, Komura Imóveis e Bunkyo - Associação Cultural de Mogi das Cruzes




Agradecimentos:

Akinori Nakatani, Dr. Nobolo Mori e O. Nagao.

Realização:

Logomarca dos realizadores
Curadoria, Produção Geral 
e Pesquisa: 
Tina Andrade

Co-Produção: 
Julie DuBose, Michael Wood e Miha Nakatani

Relações com a Imprensa:
Tina Andrade
fotoclube.altotiete@gmail.com

Retire seu convite

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Como a fotografia pode ser vista por uma pessoa com deficiência visual


Há exatos seis anos, publiquei o artigo Acessibilidade e tecnologias de apoio à inclusão de pessoas com necessidades especiais (PNE) no ensino superior, duplicado em diversos sites orientados à pessoa com deficiência.

Naquela ocasião, eu recebi um email enviado por um rapaz que dizia ter tido muito boas referências sobre aquele texto e sua utilidade, porém, como era cego, lamentava o fato de não ter acesso ao conteúdo que estava publicado em arquivo fechado (um recurso que costumávamos utilizar para evitar cópias desautorizadas) - que não podia ser traduzido pelos programas que convertem os conteúdos de imagem e texto em voz.

Veja que ironia: justo um rapaz cego, quem mostrou o quanto eu também sofria da "falta de visão", neste caso, da visão do todo, da alteridade; e que, a despeito do meu trabalho de informação, eu estava deficiente.

Desde então, me desapeguei completamente da preocupação com minha propriedade intelectual, passando a publicar artigos passíveis de cópia e duplicação. Além disso, passei a sensibilizar desenvolvedores de sites e provedores de conteúdo, para a produção de conteúdos sob as normativas de acessibilidade.

O consórcio W3C, por exemplo, introduziu normas de acessibilidade para conteúdos publicados na web, mas como nossa fotografia pode ser "vista" por pessoas que perderam total ou parcialmente a visão ou são daltônicos?

O ditado "é preciso ver para crer", foi adaptado para "é preciso CRER para ver", para sensibilizar pessoas às práticas de inclusão visual. Isto porque uma pessoa cega não é desprovida de imaginação!

Mesmo uma pessoa que já nasceu sem a visão, ao logo da vida será capaz de aprender a reconhecer tudo o que há ao seu entorno. Do contrário, não teria mobilidade, nem tampouco se relacionaria com outras pessoas, objetos, lugares, sons.

A temperatura das cores, a sensação de claridade e escuridão também podem ser sentidas. Se o deficiente visual é ouvinte, tem na audição um recurso poderoso de capturar o mundo!

Leia a seguir um trecho do post de André Carioca, do blog Cotidiano Cego, que fala da relação entre cegos e imagens:

"(...) Eu comentei que gosto muito de cinema e ele disse: como? você não vê filme nenhum! Existem formas de se entender um filme sem a visão. Além dos diálogos que existem em vários filmes, existem também os efeitos sonoros que nos fazem ter ideia do que acontece. Talvez, para uma pessoa que enxerga e não está acostumada a se atentar para esses detalhes, seja difícil imaginar. Tem também um outro recurso chamado audiodescrição, que atualmente é usado algumas vezes. Sabe aqueles aparelhos de tradução simultânea que são distribuídos em algumas palestras? Eles têm um fone de ouvido por onde você escuta a tradução. Então: em algumas seções de cinema e outros eventos, é entregue um desses pelo qual o cego escuta a descrição das cenas mudas além, no caso de um filme com legenda, a leitura da mesma. Recurso muito interessante."

Sobre a audiodescrição, encontrei em minhas pesquisas o Guião para a produção de texto descritivo - que me serve perfeitamente como referência para a elaboração de um guia para descrição das imagens fotográficas.

Veja a seguir a descrição que faço da imagem:No centro da fotografia digital, moça de pele clara, cabelo chanel e escuro, agachada à beira do mar, trajando um longo vestido vermelho (tomara-que-caia), de modo que os joelhos fiquem juntos ao peito, tem a mão esquerda apoiada no joelho esquerdo, enquanto a direita revolve a areia em busca de conchinhas, talvez. Sua imagem é refletida na água em movimento, de modo que parece uma pintura espatulada. O curioso é que a foto recebeu tratamento que a deixou com a metade superior em preto e branco e o reflexo (inferior) em cores.

No centro da fotografia digital, moça de pele clara, cabelo chanel (corte clássico de fio reto até o pescoço) e escuro, trajando um longo vestido vermelho "tomara-que-caia"(do tipo que cobre os seios, mas deixa o colo e ombros nús), está agachada à beira do mar de modo que os joelhos estão juntos ao peito; e tem a mão esquerda apoiada no joelho esquerdo, enquanto a direita revolve a areia em busca de conchinhas, talvez. Sua imagem é refletida na água, que em movimento faz parecer uma pintura espatulada. O curioso é que a foto recebeu tratamento que a deixou com a metade superior em preto e branco e o reflexo (inferior) em cores.

Agora, experimente ler em voz alta esta descrição para alguém e em seguida mostre a imagem, pedindo para que a pessoa diga o quão perto ela pode chegar da imagem a partir da sua descrição.

Como se pode ver, basta dedicar um tempo à descrição das imagens e já vamos poder compartilhar nossos saberes com deficientes visuais, também.

Estou buscando uma maneira de inserir as descrições da imagem no blog. Vou ter de fazer através de códigos, mas deixo a sugestão para que as ferramentas para o upload das imagens contenham um campo descritivo.

E considerando que 16,7% da população têm alguma deficiência visual, está mais do que na hora de praticarmos a inclusão - sem contar que este é, por natureza um público consumidor de informação e arte!

Para conhecer melhor o problema, leia o artigo sobre como as pessoas cegas usam a internet.

Foto: "between two worlds by Daveturtl"- Photobucket

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como geoposicionar sua foto no Flickr


Uma das exigências para ingressar no grupo #fotoclubedoaltotiete é a de geoposicionar suas fotos. E por quê? A razão é simples: estamos construindo um acervo de memória da região do Alto Tietê e por isso, torna-se condição sine-qua-non que cada membro revele o ponto (pelo menos aproximadamente) aonde foi realizada a captura da imagem.

Até aqui não tínhamos maiores compromissos com a informação no nosso photostream (área de submissão das imagens). Mas a fotografia documental nos exige isto. O bom é que se conseguirmos incorporar essa prática, isso irá naturalmente aumentar o potencial de encontrabilidade de nossas imagens, além da visibilidade, claro.

Como fazer


Há duas formas bem simples: a primeira é seguir o caminho Organize&Create (Organizar e Criar) > Your Map (seu mapa). Logo irá abrir a página com o mapa na parte superior e uma tira de fotos na parte inferior.

Basta "dragar" (ato de arrastar e soltar) as imagens para dentro do mapa. O programa irá perguntar automaticamente se você quer mais precisão, no caso o seu mapa estar sendo visualizado de uma forma muito ampla.

Também é possível salvar a forma como se prefere que o mapa seja visto quando um usuário acessar nossa página; e ainda atribuir uma tag específica para ele. Neste caso, eu escolhi #fotoclubedoaltotiete para mostrar Mogi das Cruzes, São Paulo - onde fica o nosso "QG".

A outra forma é no momento do upload (submissão da foto) para o Flickr. Ao subir a imagem, o programa sugere que você adicione uma descrição à imagem, título, tags, ajuste data, hora e também insira a sua foto no mapa que fica no canto superior direito da página (a depender do seu layout).

Para tanto, basta clicar no botão com a instrução add this photo to your map (adicione esta foto no seu mapa) e em seguida aparecerá a tela geográfica com todas as instruções possíveis de uso.

Essa pequena prática, pode (e deve!) ser vista como o início do processo de construção coletiva de um banco de imagens rico e dotado da diversidade.