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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ImaginaSOM - Ia Mostra de Inclusão Visual do Fotoclube do Alto Tietê



"Eu não posso colocar meus olhos no lugar dos seus;
nem meus ouvidos a escutar seus sons
ou minha língua a falar por ti;
não posso colocar minhas pernas sob teus quadris,
nem minha cabeça a pensar no teu lugar;
mas posso colocar meu coração em tudo o que faço
para diminuir as diferenças que nos impõem.
Eu também tenho as minhas deficiências...
mas ajo para transformá-las em eficiências,
segura de que a pior deficiência (ainda) é a
falta de informação."

Tina Andrade - curadora da mostra

O Acesso Universal à Informação é um direito de todos.
O Movimento pela Inclusão Visual já é um começo!

A logomarca do evento começa com o símbolo africano Nkyinkyim, que significa dinamismo, versatilidade e criatividade - representando o Fotoclube do Alto Tietê. A imagem deste símbolo lembra o desenho estilizado de um garfo de dentes bem largos ou um pente de madeira. Ele quase se funde à letra i do neologismo imaginasom, dividido em duas partes: a primeira (imagina), é escrita com letras minúsculas e sem os pingos dos is, arredondadas, pretas e encorpadas;com um pequeno círculo azul ciano sobre o primeiro a, um círculo rosa magenta, sobre o g e outro amarelo sobre o segundo a; já a segunda palavra (som), grafada em letras maiúsculas, mas na mesma altura, unida pela falta do espaço, mas em letras vazadas, brancas com contorno preto e um círculo preto sobre a letra o. Logo abaixo da palavra SOM, a inscrição Primeira (abreviado) Mostra de Inclusão Visual do Fotoclube do Alto Tietê, em tamanho bem reduzido. Toda a imagem ocupa 11 cm de largura por cerca de 2 cm de altura.

No Dia Mundial da Fotografia, o Fotoclube do Alto Tietê realizará sua primeira Mostra de Inclusão Visual.
Nela vamos mostrar como compartilhamos nossa fotografia com a pessoa com deficiência e mais: como a pessoa com deficiência pode se valer da fotografia para compartilhar conosco um pouco da sua visão de mundo.
Não podemos nos apoiar no fato de uma pessoa não enxergar para torná-la incapaz de conhecer a nossa arte.
Aliás, toda a pessoa com deficiência tem direito à cultura, arte, lazer, entretenimento, turismo e o que de mais e melhor sua cidade puder oferecer.
Nesta ocasião você terá acesso às informações, práticas inclusivas e as tecnologias utilizadas para disponibilizar nossos conteúdos de uma forma global.

Desenho em preto e branco de três símbolos: um ícone utilizado pelo Windows para representar Venha VER, OUVIR, TOCAR E SER TOCADO
por imagens que vão mudar o seu pensamento!

Abertura: 19 de agosto de 2011 às 19 horas
Palestra e experiência sensorial:
de 22 a 24 de agosto de 2011 das 10 às 11horas
Exposição: 11 às 17 horas
Experimente utilizar as modernas tecnologias assistivas!
Local: Casarão do Carmo,
Centro Histórico de Mogi das Cruzes.

Realização:

Fotoclube do Alto Tietê


P
rojeto contemplado no
Edital Denerjânio Tavares de Lyra (2011-2012)
do Conselho Municipal da Cultura (Comuc)

Apoio:
Logomarcas das seguintes instituições que oferecem apoio a esta iniciativa: Conselho Municipal de Cultura (Comuc), Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes, Tecassistiva, Status Filmes, Coordenadoria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (Copede), Conselho e Cconselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (CMAPD)


Licença Creative Commons

A obra ImaginaSOM de Tina Andrade foi licenciada com uma Licença Creative Commons
- Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0
Não Adaptada.
Com base na obra disponível em www.fotoclubedoaltotiete.art.br.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nasce o MIV - Movimento pela Inclusão Visual

Sobre um botão na cor laranja envolto por uma linha preta, está o desenho chapado (em traço) de um olho amendoado e no lugar da íris, a simulação de um obturador de câmera fotográfica, nas cores (sentido do relógio) verde, vermelho, cinza, amarelo, magenta e ciano - ao centro um hexágono preto. Sob o desenho a sigla MIV em letras espessas.
Depois da repercussão do post sobre Como a fotografia pode ser 'vista' por uma pessoa com deficiência visual, o Clube da Imagem Fotográfica da Região do Alto Tietê, aqui simplesmente chamado "Fotoclube do Alto Tietê" lança o MIV - Movimento pela Inclusão Visual, no intuito de sensibilizar fotógrafos profissionais, amadores, desenhistas, ilustradores, webdesigners e demais conteudistas/provedores de imagem, para que doravante passem a descrever suas imagens em arquivos digitais e/ou veiculadas na internet através do uso da etiqueta alt.

Da mesma forma, sensibilizamos bancos de imagem públicos e privados, blogs e outros mecanismos de submissão para que incluam um campo descritivo no quadro de diálogo com o usuário que deseje fazer o upload (subir) das imagens.

Lembramos que arquivos fechados (protegidos) não podem ser convertidos pelos softwares que transformam textos em sons, impedindo que possam ser descritos para as pessoas com deficiência visual ou cegueira.

Nós, videntes, só temos a ganhar ao conseguir com que alguém assim tão especial, consiga vislumbrar nossas imagens por meio das palavras.

Utilize este botão em seu blog ou website, adquira o nosso bottom e junte-se a nós neste movimento pela inclusão visual. Peça melhores informações e seja um fotógrafo inclusivo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Como a fotografia pode ser vista por uma pessoa com deficiência visual


Há exatos seis anos, publiquei o artigo Acessibilidade e tecnologias de apoio à inclusão de pessoas com necessidades especiais (PNE) no ensino superior, duplicado em diversos sites orientados à pessoa com deficiência.

Naquela ocasião, eu recebi um email enviado por um rapaz que dizia ter tido muito boas referências sobre aquele texto e sua utilidade, porém, como era cego, lamentava o fato de não ter acesso ao conteúdo que estava publicado em arquivo fechado (um recurso que costumávamos utilizar para evitar cópias desautorizadas) - que não podia ser traduzido pelos programas que convertem os conteúdos de imagem e texto em voz.

Veja que ironia: justo um rapaz cego, quem mostrou o quanto eu também sofria da "falta de visão", neste caso, da visão do todo, da alteridade; e que, a despeito do meu trabalho de informação, eu estava deficiente.

Desde então, me desapeguei completamente da preocupação com minha propriedade intelectual, passando a publicar artigos passíveis de cópia e duplicação. Além disso, passei a sensibilizar desenvolvedores de sites e provedores de conteúdo, para a produção de conteúdos sob as normativas de acessibilidade.

O consórcio W3C, por exemplo, introduziu normas de acessibilidade para conteúdos publicados na web, mas como nossa fotografia pode ser "vista" por pessoas que perderam total ou parcialmente a visão ou são daltônicos?

O ditado "é preciso ver para crer", foi adaptado para "é preciso CRER para ver", para sensibilizar pessoas às práticas de inclusão visual. Isto porque uma pessoa cega não é desprovida de imaginação!

Mesmo uma pessoa que já nasceu sem a visão, ao logo da vida será capaz de aprender a reconhecer tudo o que há ao seu entorno. Do contrário, não teria mobilidade, nem tampouco se relacionaria com outras pessoas, objetos, lugares, sons.

A temperatura das cores, a sensação de claridade e escuridão também podem ser sentidas. Se o deficiente visual é ouvinte, tem na audição um recurso poderoso de capturar o mundo!

Leia a seguir um trecho do post de André Carioca, do blog Cotidiano Cego, que fala da relação entre cegos e imagens:

"(...) Eu comentei que gosto muito de cinema e ele disse: como? você não vê filme nenhum! Existem formas de se entender um filme sem a visão. Além dos diálogos que existem em vários filmes, existem também os efeitos sonoros que nos fazem ter ideia do que acontece. Talvez, para uma pessoa que enxerga e não está acostumada a se atentar para esses detalhes, seja difícil imaginar. Tem também um outro recurso chamado audiodescrição, que atualmente é usado algumas vezes. Sabe aqueles aparelhos de tradução simultânea que são distribuídos em algumas palestras? Eles têm um fone de ouvido por onde você escuta a tradução. Então: em algumas seções de cinema e outros eventos, é entregue um desses pelo qual o cego escuta a descrição das cenas mudas além, no caso de um filme com legenda, a leitura da mesma. Recurso muito interessante."

Sobre a audiodescrição, encontrei em minhas pesquisas o Guião para a produção de texto descritivo - que me serve perfeitamente como referência para a elaboração de um guia para descrição das imagens fotográficas.

Veja a seguir a descrição que faço da imagem:No centro da fotografia digital, moça de pele clara, cabelo chanel e escuro, agachada à beira do mar, trajando um longo vestido vermelho (tomara-que-caia), de modo que os joelhos fiquem juntos ao peito, tem a mão esquerda apoiada no joelho esquerdo, enquanto a direita revolve a areia em busca de conchinhas, talvez. Sua imagem é refletida na água em movimento, de modo que parece uma pintura espatulada. O curioso é que a foto recebeu tratamento que a deixou com a metade superior em preto e branco e o reflexo (inferior) em cores.

No centro da fotografia digital, moça de pele clara, cabelo chanel (corte clássico de fio reto até o pescoço) e escuro, trajando um longo vestido vermelho "tomara-que-caia"(do tipo que cobre os seios, mas deixa o colo e ombros nús), está agachada à beira do mar de modo que os joelhos estão juntos ao peito; e tem a mão esquerda apoiada no joelho esquerdo, enquanto a direita revolve a areia em busca de conchinhas, talvez. Sua imagem é refletida na água, que em movimento faz parecer uma pintura espatulada. O curioso é que a foto recebeu tratamento que a deixou com a metade superior em preto e branco e o reflexo (inferior) em cores.

Agora, experimente ler em voz alta esta descrição para alguém e em seguida mostre a imagem, pedindo para que a pessoa diga o quão perto ela pode chegar da imagem a partir da sua descrição.

Como se pode ver, basta dedicar um tempo à descrição das imagens e já vamos poder compartilhar nossos saberes com deficientes visuais, também.

Estou buscando uma maneira de inserir as descrições da imagem no blog. Vou ter de fazer através de códigos, mas deixo a sugestão para que as ferramentas para o upload das imagens contenham um campo descritivo.

E considerando que 16,7% da população têm alguma deficiência visual, está mais do que na hora de praticarmos a inclusão - sem contar que este é, por natureza um público consumidor de informação e arte!

Para conhecer melhor o problema, leia o artigo sobre como as pessoas cegas usam a internet.

Foto: "between two worlds by Daveturtl"- Photobucket