sábado, 16 de novembro de 2013

[MESA DE LUZ] Alf Ribeiro

No canto superior esquerdo da imagem aparece de perfil um homem de jeans, camiseta e mochila nas costas fotografando um lago cortado por uma ponte de madeira em arcos e cercado de frondosas árvores. Ao fundo algumas construções. Fiz questão de deixar a minha própria sombra projetada sobre o chão, gravada na imagem.
Tina Andrade "Autorretrato com Alf", Parque Centenário, 14.nov.13

Na ensolarada tarde de quinta-feira (14/11/13) tive a honra de receber o jornalista, fotógrafo e, sobretudo, amigo Alf Ribeiro em sua passagem por Mogi das Cruzes. Ele veio para fazer algumas fotos e - muito me agrada dizer - para a sua estreia na "Mesa de Luz" do Fotoclube do Alto Tietê para um bate-papo informal sobre suas premiações, leitura comentada de algumas de suas obras, novas formas de trabalho em fotografia e sobre a sua bem-sucedida trajetória.

Tínhamos pouco tempo, mas o suficiente para dar uma corrida no Parque Centenário. E enquanto ele fotografava eu (é claro que) observava seus movimentos constantes, porém tranquilos. Caminhamos, fotografamos, conversamos e tudo foi muito bom.

Alf acumula importantes premiações e suas obras foram aceitas nos mais renomados concursos fotográficos entre os quais: Primeiro Lugar no Concurso Embrapa Arroz e Feijão em 2007; duas aceitações no VI Salão Nacional de Fotografia Brasil-Afro, da Votorantim (SP), também em 2007; aceitações em cinco edições do Prêmio New Holland de Fotojornalismo, com o vice-campeonato na quinta edição em 2009 (foto);  duas aceitações no 7º Salão Nacional de Fotografia "Pércio Galembeck" em 2010; aceitação na XVII Bienal de Arte Fotográfica em Cores que aconteceu no Museu Histórico de Londrina em 2011; duas aceitações na II Bienal de Arte Fotográfica Natureza em Cores de Ribeirão Preto (SP) em 2011; duas aceitações na XVII Bienal de Arte Fotográfica em Preto e Branco no SESC de São José do Rio Preto em 2012;  dois Prêmios Top Etanol em 2012; e Menção Honrosa na XVIII Bienal de Arte Fotográfica Brasileira em Cores, que aconteceu este ano em Foz do Iguaçu, além de exposições individuais e coletivas de alto nível.

Fotografia 0057-0331 da série
Flanar Urbano (25 de março)
Atualmente se dedica a dois projetos de vida: o Flanar Urbano, "eu simplesmente saio por aí", conta; e "Cadeias Produtivas", onde se dedica a registrar o ciclo de vida de inúmeras matérias-primas como, por exemplo, o algodão desde a semeadura e as diversas colheitas nas fazendas interioranas, até o desembarque na forma de jeans antes do amanhecer no Bairro do Brás, em São Paulo.

Homem no meio de uma grande plantação sorri alegremente enquanto apóia uma imensa trouxa com o algodão por ele recém-colhido. Um camponês de trajes simples, mas destaca-se um grande chapéu de palha verde-alface dependurado sobre o peito.
Fotografia 0002-0804 da série
Cadeias Produtivas (Algodão)
Um trabalho primoroso que, sem sombra de dúvida, resultará em um dos maiores e qualitativamente melhores acervos imagéticos da Agricultura Nacional. "Me realizo ao colocar os pés na terra", confidenciou o fotógrafo de mão cheia que se orgulha de ter apenas duas lentes básicas (18/55 e 75/300 da Canon) e quase não utilizar flash.

Arte de Tina Andrade sobre foto de  Jonny Ueda
- "Certa ocasião eu ouvi do editor de fotografia do Clarin uma frase que me inspirou a fazer o que faço hoje. Disse ele: - 'eu só trabalho com lente fixa, porque sou obrigado a me mover'.
É isso mesmo! A fotografia é uma profissão em movimento. Eu não chego a usar a lente fixa, mas me exijo estar em constante movimento."

Essa "movimentação" toda faz com que atualmente se dedique a registrar a mobilidade urbana: - "O Brasil tem um gargalo de transpote muito grande. Esse projeto é um grito eu que dou para dizer 'ó, tem solução!'", desabafa.

Na Mesa de Luz, Alf Ribeiro compartilhou com o coletivo algo impagável sobre sua fotografia - sob aspectos que vão desde a determinação do objetivo até a publicação e gestão de seu respeitável banco de imagens. Sorte de quem estava lá para ouvir e se apropriar de tão valioso conhecimento.

Leia a seguir alguns desses ensinamentos (fotos da autora):


- "Tenha um objetivo" - referindo-se ao fato de não sair por aí fotografando qualquer coisa, mas tudo o que estiver na linha dos seus objetivos;

- "Fotos vendáveis também podem virar ensaios" - é uma forma de dizer que devemos considerar diferentes aplicações para uma mesma imagem;

- "Não gosto de produzir. Tudo que entra na foto é porque estava na cena, era real. " - alegando que "registrar a vida em movimento" também se traduz num estilo.

- "Faço tudo em RAW." - Ele ensinou que o RAW é a maior prova de autenticidade, pois além de preservar o arquivo inalterado, imprime sobre ele o número de série da câmera.

- "Concentro meus trabalhos em um só lugar" - Alf usa uma única conta no Flickr, onde já depositou mais de 5 mil fotos. Obviamente em formato redimensionado e todas com mancha d'água ("já fui muito criticado por isso, mas não abro mão"). A organização também é muito simples: todas as fotos trazem dois números: um corresponde à mídia onde foram gravadas e o outro, é um número simples e sequencial. Ex: 42-11 (foto 42 do disco 11). Além disso, todas as fotos são contextualizadas de forma sintética, clara e bem objetiva: todas trazem a regra clássica de todo jornalista que se preze: "quê, quando, onde, como e com quem".

- Favorite! - Ao acompanhar e eleger os trabalhos outros fotógrafos como seus favoritos, podemos encontrar fontes de inspiração que nos ajudarão a conceber ideias para projetos autorais.

Questionado sobre sua declarada compulsão fotográfica ("eu clico tudo que me interessa"), Alf revelou que, quando viaja, viaja para fotografar e é assim que ele tem prazer nisso: - "me sinto mal se deixo a câmera de lado para tomar uma caipirinha", disse.

O fato é que tudo é fruto de uma escolha e, ao que tudo inndica, ele soube fazer a escolha mais acertada.

Reportagem de Tina Andrade
- jornalista inclusiva e presidente do

Fotoclube do Alto Tietê
www.fotoclubedoaltotiete.art.br